"Felizes somos nós, Israel, pois o que agrada a Deus nos foi revelado"

Baruc IV, 4

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domingo, 12 de agosto de 2012

Vida Monástica

Nosso tempo é dividido entre oração, estudo e trabalho.
A oração litúrgica, o Ofício Divino, ocupa o primeiro lugar:
“O fundamento íntimo do estado religioso, escreve D. Romain Banquet, é a prática contínua e mais perfeita possível do primeiro mandamento: ‘Adorar a Deus e amá-lo de todo coração’. É por isso que S. Bento escreve na Regra que ‘nada deve ser preferido ao Ofício Divino’, ‘nihil operi Dei praeponatur’. São Bento traduz simplesmente a vontade de Deus e a da Igreja quando ele coloca o Ofício Divino acima de tudo. Tudo, no plano divino, se refere à celebração da glória de Deus” (Doctrine Monastique de Dom Romain Banquet, p.76)

Ao Ofício Divino e inspirada nele se acrescenta a oração pela qual o monge une-se a Deus de maneira mais pessoal. Aliás, a observância do silêncio não tem outra finalidade senão a de tornar mais fácil essa união ao longo de todo o dia.
Depois da oração, o estudo ocupa um lugar importante em nossa vida. Como poderia ser de outra forma se nós só amamos o que conhecemos? E, conhecendo, o amor não procura conhecer ainda mais? A esse respeito nós só temos de seguir nossos predecessores que sempre amaram o estudo, e é por isso que encontramos cinco Doutores da Igreja entre os filhos de  São Bento.
Nossos candidatos ao sacerdócio fazem parte de seus estudos no Seminário da Fraternidade São Pio X na Argentina o que nos deixa felizes por termos assim um laço a mais com a obra de Dom Lefebvre. Esperamos poder ter futuramente nosso próprio corpo docente o que permitirá que todos os estudos sejam feitos no mosteiro, estudos que se prolongarão durante toda a existência do monge, inspirando e esclarecendo sua vida de oração e o apostolado que pode lhe ser eventualmente confiado.
Enfim o trabalho manual completa as ocupações do monge, dando-lhe ocasião de fazer penitência, de se identificar com Nosso Senhor trabalhando em Nazaré e formar seu julgamento por esse contato cotidiano com a realidade das coisas mais humildes mas tão admiráveis da criação, na horta, na cozinha, na padaria e nos diversos ofícios da casa.
O horário que regula essas três grandes atividades do monge em nosso mosteiro é o seguinte:
  • 03:30 - MATINAS, seguidas da “Lectio Divina” 
  • 06:00 - LAUDES, seguidas de oração mental 
  • 07:00 - Café da manhã 
  • 07:30 - PRIMA, seguida de aulas 
  • 10:00 (ou 11:00) - TERÇA e MISSA CONVENTUAL 
  • 12:00 - SEXTA seguida de almoço 
  • 14:15 - NOA, seguida de trabalho manual 
  • 17:00 - VÉSPERAS, seguidas de oração 
  • 18:00 - Jantar 
  • 18:45 - Capítulo 
  • 19:00 - COMPLETAS 
  • 20:00 - Apagar as luzes
Uma vez por semana, após Noa, a comunidade faz uma caminhada recreativa. Além disso, ao menos duas vezes por ano toda a comunidade faz o que chamamos "grande passeio" e que nada mais é do que uma grande excursão a pé pelas matas das redondezas, ocasião em que passamos o dia "em família" ao ar livre, o que não nos impede de aí cantar o Ofício Divino e louvar assim o Criador!

Às nossas atividades propriamente monásticas acrescenta-se, além da assistência espiritual e de formação a nossas irmãs, um discreto apostolado junto às famílias da região assim como a orientação espiritual da pequena escola mantida pelo mosteiro.

A vida em um mosteiro beneditino

Nosso Bem-aventurado Pai São Bento indica em sua Regra o critério fundamental da vocação monástica: si vere Deum quaerit, isto é, se aquele que bate à porta do mosteiro procura verdadeiramente a Deus.
É essa procura de Deus que condiciona e explica todas as observâncias monásticas e estabelece o contraste entre o mundo e o mosteiro: no mosteiro, o ofício divino, a obediência e os opróbrios, como diz São Bento, e no mundo, sobretudo no mundo atual, o descaso pelo seu culto verdadeiro, a desobediência à Sua lei e o orgulho, que faz os homens fugirem da cruz de Nosso Senhor sem se darem conta que encontrarão outra bem mais pesada, pois só o jugo de Nosso Senhor é leve e só o Seu fardo é suave.
Mas para adaptar-se à uma vida que apresenta tantos contrastes com a vida do mundo tanto quanto ao espírito como quanto às práticas externas, a Santa Regra e o Direito Canônico estabeleceram etapas através das quais o candidato vai tomando conhecimento aos poucos da vida e costumes monásticos e os superiores vão, por sua vez, examinando o mesmo, para ver não só se ele procura verdadeiramente a Deus, mas também se ele tem as aptidões necessárias para o nosso gênero de vida.
Após um primeiro contato com o superior, o futuro candidato se instala na hospedaria, e durante cerca de cinco dias observa os costumes da casa, e conversa com o mesmo superior, para se ver se tem as aptidões mínimas necessárias. Sendo aceito, entra no postulantado, que dura cerca de seis meses, onde vai sendo educado nos costumes monásticos.
Transcorrido o postulantado, em uma cerimônia de vestição, a pessoa troca a roupa do século pelo hábito religioso e muda o seu nome civil para um nome de religião. Inicia-se então o noviciado que dura dois anos, no fim dos quais o noviço fará os votos temporários de pobreza, castidade, obediência e estabilidade no mosteiro. Sendo agora já um monge professo (temporário), este continua no exercício das virtudes cristãs por um período de três anos, findos os quais poderá renová-los por mais três anos ou emitir os votos perpétuos, conforme o superior da casa achar conveniente.
Podemos dizer que no mosteiro há três classes de monges: irmãos conversos, irmãos de coro que não são padres e irmãos de coro que são padres.
Os irmãos conversos dedicam-se mais ao trabalho manual, não tendo obrigação de assistência ao coro.
Os irmãos de coro não padres, ao contrário, têm uma carga horária de trabalho manual um pouco menor, porém têm a obrigação de ir ao coro, para a recitação do ofício divino.
Os irmãos de coro que são padres, são em tudo semelhantes à classe anterior, porém acrescidos da dignidade do sacerdócio, pela qual devem celebrar a Santa Missa e confessar, quando designados para isso.

O que é um mosteiro beneditino?

Dom Emmanuel-Marie André

( † 1903)

As poucas páginas que seguem foram publicadas pela primeira vez no Boletim da Obra de Nossa Senhora da Santa Esperança. Tínhamos anunciado a fundação dos Beneditinos e das Beneditinas de Nossa Senhora da Santa Esperança, e as Máximas de São Bento vinham, por assim dizer, responder à pergunta: O que é então um mosteiro beneditino?
Desejamos que estas páginas levem a resposta a toda parte em que puder esclarecer um espírito, alegrar uma alma, ajudar talvez uma vocação. Quantas almas sofrem no mundo por não terem encontrado o seu caminho e que renderiam graças a Deus pela sua felicidade se uma mão caridosa lhes mostrasse a porta de um mosteiro beneditino!
CAPÍTULO 1 - São Bento e sua obra na igreja

CAPÍTULO 2 - O segredo do poder de São Bento 
CAPÍTULO 3 - A presença de Deus
CAPÍTULO 4 - O amor de Nosso Senhor Jesus Cristo
CAPÍTULO 5 - A graça de Deus 
CAPÍTULO 6 - O Mosteiro
CAPÍTULO 7 - O Abade
CAPÍTULO 8 - Os Irmãos
CAPÍTULO 9 - As três colunas do edifício
CAPÍTULO 10 - A Oração
CAPÍTULO 11 - O Ofício Divino 
CAPÍTULO 12 - A liberdade de espírito
CAPÍTULO 13 - Um testemunho 
CAPÍTULO 14 - A luz em todas as coisas 
CAPÍTULO 15 - A Glória de Deus em todas as coisas

CAPÍTULO I
AS  MÁXIMAS DE   SÃO   BENTO
São Bento e a sua obra na Igreja
Aprouve muitas vezes a Deus, que falou a Moisés no monte Sinai, falar a seus santos no cume das montanhas, longe do mundo, perto do céu. Monte Cassino é um desses lugares abençoados; lá se ergue, como sobre uma base de granito, a grande imagem de São Bento. A mão de Deus que o tinha arrebatado do mundo, conduziu-o à solidão, e o moldou para ser o pai da maior família monástica que já houve na Igreja.

sábado, 28 de julho de 2012

Regra de São Bento

Prólogo
CAPÍTULO 1 - Dos gêneros de monges
CAPÍTULO 2 - Como deve ser o Abade
CAPÍTULO 3 - Da convocação dos irmãos a conselho
CAPÍTULO 4 - Quais são os instrumentos das boas obras
CAPÍTULO 5 - Da obediência
CAPÍTULO 6 - Do silêncio
CAPÍTULO 7 - Da humildade
CAPÍTULO 8 - Dos Ofícios Divinos durante a noite
CAPÍTULO 9 - Quantos salmos devem ser ditos nas Horas noturnas
CAPÍTULO 10 - Como será celebrado no verão o louvor divino

CAPÍTULO 11 - Como serão celebradas as Vigílias aos domingos
CAPÍTULO 12 - Como será realizada a solenidade das matinas
CAPÍTULO 13 - Como serão realizadas as matinas em dia comum
CAPÍTULO 14 - Como serão celebradas as Vigílias nos natalícios dos Santos
CAPÍTULO 15 - Em quais épocas será dito o Aleluia
CAPÍTULO 16 - Como serão celebrados os ofícios durante o dia
CAPÍTULO 17 - Quantos salmos deverão ser cantados nessas mesmas horas
CAPÍTULO 18 - Em que ordem os mesmos salmos devem ser ditos
CAPÍTULO 19 - Da maneira de salmodiar
CAPÍTULO 20 - Da reverência na oração
CAPÍTULO 21 - Dos decanos do mosteiro
CAPÍTULO 22 - Como devem dormir os monges
CAPÍTULO 23 - Da excomunhão pelas faltas
CAPÍTULO 24 - Qual deve ser o modo de proceder-se à excomunhão
CAPÍTULO 25 - Das faltas mais graves
CAPÍTULO 26 - Dos que sem autorização se juntam aos excomungados
CAPÍTULO 27 - Como deve o Abade ser solícito para com os excomungados
CAPÍTULO 28 - Daqueles que muitas vezes corrigidos não quiserem emendar-se
CAPÍTULO 29 - Se devem ser novamente recebidos os irmãos que saem do mosteiro
CAPÍTULO 30 - De que maneira serão corrigidos os de menor idade
CAPÍTULO 31 - Como deve ser o Celeireiro do mosteiro
CAPÍTULO 32 - Das ferramentas e objetos do mosteiro
CAPÍTULO 33 - Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio
CAPÍTULO 34 -Se todos devem receber igualmente o necessário
CAPÍTULO 35 - Dos semanários da cozinha
CAPÍTULO 36 - Dos irmãos enfermos
CAPÍTULO 37 - Dos velhos e das crianças
CAPÍTULO 38 - Do leitor semanário
CAPÍTULO 39 - Da medida da comida
CAPÍTULO 40 - Da medida da bebida
CAPÍTULO 41 - A que horas convém fazer as refeições
CAPÍTULO 42 - Que ninguém fale depois das Completas
CAPÍTULO 43 - Dos que chegam tarde ao Ofício Divino ou à mesa
CAPÍTULO 44 - Como devem fazer satisfação os que tiverem sido excomungados
CAPÍTULO 45 - Dos que erram no oratório
CAPÍTULO 46 - Daqueles que cometem faltas em quaisquer outras coisas
CAPÍTULO 47 - Como deve ser dado o sinal para o Ofício Divino
CAPÍTULO 48 - Do trabalho manual cotidiano
CAPÍTULO 49 - Da observância da Quaresma
CAPÍTULO 50 - Dos irmãos que trabalham longe do oratório ou estão em viagem
CAPÍTULO 51 - Dos irmãos que partem para não muito longe
CAPÍTULO 52 - Do oratório do mosteiro
CAPÍTULO 53 - Da recepção dos hóspedes
CAPÍTULO 54 - Se o monge deve receber cartas ou qualquer outra coisa
CAPÍTULO 55 - Do vestuário e do calçado dos irmãos
CAPÍTULO 56 - Da mesa do Abade
CAPÍTULO 57 - Dos artistas do mosteiro
CAPÍTULO 58 - Da maneira de proceder à recepção dos irmãos
CAPÍTULO 59 - Dos filhos dos nobres ou dos pobres que são oferecidos
CAPÍTULO 60 - Dos sacerdotes que, porventura, quiserem habitar no mosteiro
CAPÍTULO 61 - Dos monges peregrinos como devem ser recebidos
CAPÍTULO 62 - Dos sacerdotes do mosteiro
CAPÍTULO 63 - Da ordem na comunidade
CAPÍTULO 64 - Da ordenação do Abade
CAPÍTULO 65 - Do Prior do mosteiro
CAPÍTULO 66 - Dos porteiros do mosteiro
CAPÍTULO 67 - Dos irmãos mandados em viagem
CAPÍTULO 68 - Se são ordenadas a um irmão coisas impossíveis
CAPÍTULO 69 - No mosteiro não presuma um defender o outro
CAPÍTULO 70 - Não presuma alguém bater em outrem a próprio arbítrio
CAPÍTULO 71 - Que sejam obedientes uns aos outros
CAPÍTULO 72 - Do bom zelo que os monges devem ter
CAPÍTULO 73 - De que nem toda a observância da justiça se acha estabelecida nesta Regra



PRÓLOGO DA REGRA
Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei.
Antes de tudo, quando encetares algo de bom, pede-lhe com oração muito insistente que seja por ele plenamente realizado, a fim de que nunca venha a entristecer-se, por causa das nossas más ações, aquele que já se dignou contar-nos no número de seus filhos; assim, pois, devemos obedecer-lhe em todo tempo, usando de seus dons a nós concedidos para que não só não venha jamais, como pai irado, a deserdar seus filhos, nem tenha também, qual Senhor temível, irritado com nossas más ações, de entregar-nos à pena eterna como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.
Levantemo-nos então finalmente, pois a Escritura nos desperta dizendo: "Já é hora de nos levantarmos do sono". E, com os olhos abertos para a luz deífica, ouçamos, ouvidos atentos, o que nos adverte a voz divina que clama todos os dias: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não permitais que se endureçam vossos corações", e de novo: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas". E que diz? – "Vinde, meus filhos, ouvi-me, eu vos ensinarei o temor do Senhor. Correi enquanto tiverdes a luz da vida, para que as trevas da morte não vos envolvam".
E procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo, ao qual clama estas coisas, diz ainda: "Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?" Se, ouvindo, responderes: "Eu", dir-te-á Deus: "Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a". E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos sobre ti e meus ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: "Eis-me aqui". Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor a convidar-nos? Eis que pela sua piedade nos mostra o Senhor o caminho da vida.
Cingidos, pois, os rins com a fé e a observância das boas ações, guiados pelo Evangelho, trilhemos os seus caminhos para que mereçamos ver aquele que nos chamou para o seu reino. Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas obras, de outra forma nunca se há de chegar lá. Mas, com o profeta, interroguemos o Senhor, dizendo-lhe: "Senhor, quem habitará na vossa tenda e descansará na vossa montanha santa?". Depois dessa pergunta, irmãos, ouçamos o Senhor que responde e nos mostra o caminho dessa mesma tenda, dizendo: "É aquele que caminha sem mancha e realiza a justiça; aquele que fala a verdade no seu coração, que não traz o dolo em sua língua, que não faz o mal ao próximo e não dá acolhida à injúria contra o seu próximo". É aquele que quando o maligno diabo tenta persuadi-lo de alguma coisa, repelindo-o das vistas do seu coração, a ele e suas sugestões, redu-lo a nada, agarra os seus pensamentos ainda ao nascer e quebra-os de encontro ao Cristo. São aqueles que, temendo o Senhor, não se tornam orgulhosos por causa de sua boa observância, mas, julgando que mesmo as coisas boas que têm em si não as puderam por si, mas foram feitas pelo Senhor, glorificam Aquele que neles opera, dizendo com o profeta: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai Glória". Como, aliás, o Apóstolo Paulo não atribuía a si próprio coisa alguma de sua pregação, quando dizia: "Pela graça de Deus sou o que sou" e ainda: "Quem se glorifica, que se glorifique no Senhor".
Eis porque no Evangelho diz o Senhor: "Àquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, compará-lo-ei ao homem sábio que edificou sua casa sobre a pedra, cresceram os rios, sopraram os ventos e investiram contra a casa; e ela não ruiu porque estava fundada sobre pedra". Em conclusão espera o Senhor todos os dias que nos empenhemos em responder com atos às suas santas exortações. Por essa razão, os dias desta vida nos são prolongados como tréguas para a emenda dos nossos vícios, conforme diz o Apóstolo: "Então ignoras que a paciência de Deus te conduz à penitência?". Pois diz o bom Senhor: "Não quero a morte do pecador, mas sim que se converta e viva".
Como, pois, irmãos, interrogássemos o Senhor a respeito de quem mora em sua tenda, ouvimos em resposta, qual a condição para lá habitar: a nós compete cumprir com a obrigação do morador!
Portanto, é preciso preparar nossos corações e nossos corpos para militar na santa obediência dos preceitos; e em tudo aquilo que nossa natureza tiver menores possibilidades, roguemos ao Senhor que ordene a sua graça que nos preste auxílio. E, se, fugindo das penas do inferno, queremos chegar à vida eterna, enquanto é tempo, e ainda estamos neste corpo e é possível realizar todas essas coisas no decorrer desta vida de luz, cumpre correr e agir, agora, de forma que nos aproveite para sempre.
Devemos, pois, constituir uma escola de serviço do Senhor. Nesta instituição esperamos nada estabelecer de áspero ou de pesado. Mas se aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de eqüidade, para emenda dos vícios ou conservação da caridade não fujas logo, tomado de pavor, do caminho da salvação, que nunca se abre senão por estreito início. Mas, com o progresso da vida monástica e da fé, dilata-se o coração e com inenarrável doçura de amor é percorrido o caminho dos mandamentos de Deus. De modo que não nos separando jamais do seu magistério e perseverando no mosteiro, sob a sua doutrina, até a morte, participemos, pela paciência, dos sofrimentos do Cristo a fim de também merecermos ser co-herdeiros de seu reino. Amém.
[Termina o Prólogo]